Venci um torneio
3 da Manhã, Dois Ases e o Silêncio da Vitória Eram três da manhã e eu mal conseguia dormir. Passava as mãos na cabeça revivendo cada jogada, cada blefe e aquele fold doloroso. Se você joga poker, conhece bem essa insônia. A Panela de Pressão Na mesa final, restavam apenas cinco pessoas. Eu era, de longe, o mais nervoso. Minhas mãos suavam no mouse e meu coração disparava a cada vez que a ação chegava em mim. Até que olhei para as cartas no botão: dois ases. Reli uma, duas vezes. Eram mesmo dois ases. O melhor cenário na hora mais tensa. Dei um raise curto, tentando parecer casual. O chip leader pagou. O flop veio seco, apostei e ele deu call. No turn, com as mãos tremendo de verdade, empurrei todas as fichas: all-in. O tempo congelou. A barra de tempo dele foi correndo... e ele deu fold. Não gritei. Só senti um alívio absurdo e aquela pontada de incredulidade: "Isso tá mesmo acontecendo?" O Salto de Paraquedas No heads-up, entrei no modo automático. Assustado, mas funcionando. Cada blefe parecia um salto de paraquedas sem a certeza de que ele abriria. Quando a última mão caiu a meu favor, o que veio não foi um grito de comemoração. Foi o silêncio. Fiquei uns cinco segundos estático encarando a tela, seguidos por um sorriso meio bobo. Peguei o celular para contar a novidade, mas como explicar a quem não joga? Mandei só: "Eu venci o torneio." Uma frase simples demais para o tamanho do caos que foi o meu dia. Mas quer saber? Foi bom demais.
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