O poker não apareceu por acaso na minha vida!
Tem coisas que parecem gosto, mas, na verdade, são formação.
Comigo, a estratégia veio cedo. No xadrez, por exemplo. Na oitava série, fui vice-campeão do estadual de São Paulo, e hoje percebo que aquilo não era só competição. Era treino de cabeça. Era aprender a pensar à frente, a ter paciência, a entender que nem sempre a melhor jogada é a mais óbvia.
Depois vieram outros jogos de estratégia, e o interesse sempre foi o mesmo: menos a vitória em si, mais a lógica por trás dela. Sempre gostei de leitura, construção, cálculo e consequência.
Anos depois, isso apareceu no meu trabalho. Hoje sou head de estratégia em uma agência publicitária, e faz muito sentido. Porque estratégia, no fim, também é isso: ler contexto, separar ruído de oportunidade e tomar decisões com critério, não no impulso. Talvez por isso o poker tenha feito tanto sentido para mim.
Muita gente olha para o poker e vê cartas. Eu vejo decisão. Vejo risco, probabilidade, leitura de comportamento e, principalmente, controle emocional. Porque no poker não basta saber jogar. É preciso sustentar boas decisões mesmo quando a emoção pede o contrário.
No fundo, sinto que tudo foi me trazendo até aqui. O xadrez me ensinou a antecipar. Os jogos me ensinaram a respeitar sistema e consequência. A profissão me ensinou a ler cenário e intenção. E o poker junta tudo isso em uma mesa só.
Talvez seja por isso que eu goste tanto dele: porque, mais do que um jogo de cartas, ele me parece um jogo de lucidez.

Gostei do depoimento, faz muito sentido o que vc falou, GL!
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